Não deixa de ser curioso que foi pelo não cumprimento da mais elementar das regras do funcionamento de um espaço aula, a utilização de um telemóvel-filmador, que o País tomou conhecimento de uma situação que aparentemente faz parte do quotidiano de muitos.
Aparentemente, pois a fazer fé no académico que de momento exerce funções políticas, tal situação não pode ser apresentada como preocupante pois as estatísticas demonstram que os espaços escolares são, por norma, lugar de trabalho e convivialidade sadia.
Não obstante o despendido e dando eco aos silêncios perturbadores de muitos que fazem do seu mister o magistério, a realidade é bem diferente e de há muito que preocupa.
E deve inquietar e preocupar todos, porque esta violência que não é latente, mas manifesta, quase que assume formas de regra, de norma.
A normalização dos comportamentos desviantes!
O papel sócio-profissional dos docentes, que anda pelas ruas da amargura é seguramente uma das razões que pode ser elencada para a indisciplina reinante em determinadas escolas.
Mas não só!
A ausência de referências familiares consistentes, a deificação bacoca do consumo e o relativismo presente no tempo de hoje são algumas das razões substantivas para melhor se perceber o que realmente se está a passar.
Se a tudo acrescentarmos, ainda, o complexo esquerdizante, tipo Maio de 68 com resquícios de uma época que pouco ou nada deu de positivo e que pauta o comportamento de diversos actores com responsabilidades na Educação, inteligimos, também, um dos porquês do momento vivido.
Até porque,
Sem respeito por quem tem a responsabilidade de ensinar, os professores, a escola;
Sem o assumir de quem tem a obrigação de educar, os pais, a família;
Sem políticas que permitam lideranças que têm de exercer autoridade, o director;
E, sem rupturas com um passado recente, experimentalista e oculto, a realidade transgressora vai perdurar.
E caros leitores, não há volta a dar até porque escola fácil e facilista, para onde nos levam os “Maitre Penseurs” tornam o mundo futuro difícil, perigoso e não-querido!
Nada mais actual do que retomar a auto-critica de Olivier Rolin da geração de 68, que de forma desassombrada e taxativa afirma:”não teremos deixado nada de positivo, não deixamos uma conquista, destruímos o ensino. Eu penso que um dos grandes males da França (e de Portugal, dizemos nós) é que o ensino não funciona, no seu conjunto, não forma cidadãos”…
terça-feira, 25 de agosto de 2009
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