terça-feira, 25 de agosto de 2009

Um contributo...

No Minho, parte da Nação um outro ponto de vista sobre Educação…



A destrinça entre o elemento essencial das coisas e a sua dimensão instrumental parece-me ser um dos aspectos a ter em conta na análise critica de quase tudo.
Quando ouvimos os actuais detentores do poder político dizer que deixou de ser dramática a situação em que se encontra a educação em geral e o ensino em particular, só estranhamos o que nos vêm novamente e, sempre, dizer os estudos independentes, nomeadamente, os da OCDE e o PISA.
Atrevo-me, mesmo, utilizando os referidos estudos, independentes, objecto de publicação, a considerar que alguma coisa está mal explicada.
Não obstante, façamos uma viagem do básico ao universitário! De forma mais ou menos atenta.
Mas, mesmo que não estivéssemos atentos, até porque os mais distraídos também reparam, tal a evidência, a situação só não é mais dramática, porque aparentemente só de vez em quando, nos lembramos de consultar os números disponíveis.
Com uma taxa que continua assustadora de abandono escolar, com esse desastre endémico que são os resultados da Matemática, Ciências Experimentais e Português, estruturantes do pensamento, implicando um desempenho posterior a roçar a mediocridade, contudo, mesmo neste quadro negro que nos encontramos, a direcção proposta tem continuado sempre a mesma.
Nada é obra do acaso e retirar a Filosofia da prestação de provas é sintomático dos caminhos a trilhar!
E o lugar de chegada?!... Talvez, nenhures!
Continuamos a insistir no mais do mesmo, plano tecnológico para aqui, exemplos de sucesso, pode ser o irlandês ou, mesmo, o finlandês para acolá, mas o que deve ser substancial, passa para o não-dito, para o indizível!
E estamos nesta situação, que nos deve de facto preocupar e, quanto a culpados (?), muito embora eles tenham nome, ninguém os menciona.
A falta de meios, nomeadamente os financeiros, não pode ser invocada, até porque comparativamente, somos dos países que mais investiram na educação.
A razão deste descalabro pode ser achada na falta de organização, se quisermos mesmo, na racionalização ou, falta dela, na gestão dos meios.
A pretexto de uma democratização, ideologicamente cega, mas com propósitos obscuros, devastou-se a escola, destruiu-se o que de bom, eventualmente havia, sem curar de encontrar caminho melhor.
Aos que propunham caminhos diferenciados, ou alternativos, o epíteto de conservador, passadista ou, muitos outros, mais assertivos, eram de imediato anunciados.
Os modernos, os pós-modernos que dominavam as ditas “ciências do oculto”, hoje escondem-se por trás de estudos reformuladores de tudo e coisa nenhuma, sem contudo assumirem a responsabilidade de terem destruído o melhor de um povo, o seu capital humano.
Não causa espanto, que hoje, uma parte significativa dos alunos soçobre, antes de chegar ao fim desse caminho, tortuoso, que vai da primária (hoje básico) à universidade, sem qualquer saída pelo meio.
Mas, ainda estamos a tempo.
Ainda existe um tempo de procura de novos caminhos alternativos, também na educação.
O caminho pode fazer-se caminhando, nomeadamente, fazendo tábua rasa das tretas, obrigando a um esforço individual, com estudo, dedicação e com professores que não procurem apenas a equivalência ao título académico, muitas das vezes, só por equiparação, mas sejam, mestres, exigentes e profissionais e, quiçá, se possa inverter a tendência.
Contudo, o momento vivido, que é crítico, tem a positividade de permitir a mudança.
A educação, também, no Minho é o sector pelo qual vale a pena mudar, mas mudar do acessório para o essencial…
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Braga, 09 de Agosto de 2009
Acácio de Brito

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